Venezuelano é deportado para El Salvador por tatuagem do Real Madrid
- Rádio Manchete USA
- há 1 dia
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SAN DIEGO - O ICE ignorou a audiência marcada com um juiz de imigração para esse mês e deportou o venezuelano Jerce Reyes em voo polêmico para El Salvador há quinze dias.
O ex-jogador de futebol de 35 anos estava preso sob custódia do governo dos Estados Unidos desde setembro quando ele entrou no país pela fronteira do México com a Califórnia para tentar asilo através de um programa da administração anterior.
As autoridades suspeitaram que ele era membro da gangue Tren da Aragua por conta de uma tatuagem que, segundo o tatuador Victor Mengual, amigo de Reyes, é uma homenagem ao Real Madrid.
Numa entrevista à CNN, Mengual, responsável por tatuar Reyes duas vezes - uma em 2018 e outra em 2023 - detalha os desenhos são uma bola de futebol coberta por uma coroa para representar o clube espanhol Real Madrid. O artista explica que há 7 anos o Tren de Aragua não era um gangue conhecido entre os venezuelanos, muito menos no exterior.
Logo abaixo, a palavra “Dios” que significa Deus em espanhol e também é o apelido do falecido astro do futebol argentino Diego Maradona.

Mas o Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em Inglês) insiste que as tatuagens de Reyes são “consistentes com as estampadas pelos membros da Tren de Aragua (TdA)”.
O órgão federal argumenta que os desenhos de coroas, rosas ou estrelas são muito usadas pelos criminosos, enquanto dois dos lemas da gangue incluem as palavras Real e Dios.
“Jerce Reyes Barrios não só estava nos Estados Unidos ilegalmente como tem tatuagens que são consistentes com as que indicam a pertença a um gangue TdA”, afirma um comunicado do DHS.
"As suas próprias redes sociais indiciam que ele é membro do cruel gangue TdA. Dito isso, as avaliações de informação do DHS vão além de uma única tatuagem e estamos confiantes nas nossas descobertas."
No entanto, o DHS não mostrou evidências sobre as postagens que incriminam o venezuelano nem a Manchete USA localizou alguma referência ao Tren de Aragua nas redes sociais do imigrante.
Reyes estava entre as centenas de deportados venezuelanos transferidos para o Centro de Confinamento de Terrorismo (CECOT) de El Salvador , depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, invocou uma lei do século XVIII para deportar centenas de migrantes sem documentos para o país centro-americano.
A mulher de Reyes está em Tapachula, no sul do México, onde chegou em dezembro para se juntar ao marido nos EUA. "Jerce nem sequer bebe, não fuma, nunca se envolveu em nenhum crime ou situação má! As únicas coisas que lhe interessam são as suas filhas e o futebol", diz Mariyin Araujo, 32 anos.
Trajetória
A advogada de Reyes, Linette Tobin, explica que o cliente deixou a cidade venezuelana de Machiques em março do ano passado, após distúrbios políticos. Ao chegar no México, ele se registou através do CBP One para pedir asilo nos EUA.
Os registos mostram que Reyes entrou no país em 1 de setembro para uma reunião com as autoridades migratórias, mas foi imediatamente detido, acusado de ser um gangster e colocado sob custódia do ICE.
Começou então uma batalha jurídica para provar a inocência do venezuelano.
A advogada apresentou documentos da Venezuela que mostram que Reyes não tem registo criminal e vídeos das atuações de Reyes como jogador de futebol na Primeira e Segunda Divisões da Venezuela.
Em dezembro, Tobin conseguiu marcar uma audiência para apresentar o caso de asilo de Reyes na Corte de San Francisco. A audiência está marcada para 17 de abril.
A última vez que Tobin falou como o cliente foi no dia 11 de março. Por telefone de um centro de detenção do ICE, ele mostrava esperança de ser libertado em breve. Desde então, não teve mais notícias dele.
Depois de cinco dias, advogada reconheceu o cliente nas imagens divulgadas pela presidência salvadorenha mostrando a chegada dos deportados ao Centro de Confinamento Antiterrorista (CECOT), uma prisão de segurança máxima projetada para manter os gangsters de El Salvador.
No dia seguinte, Tobin recebeu a confirmação de que Reyes tinha sido efetivamente deportado. O seu nome apareceu mais tarde numa lista de deportados publicada pela primeira vez pela CBS News, enquanto as alegações de inocência das famílias dos deportados começavam a surgir nos meios de comunicação social.
Comunidade pede libertação
Na cidade natal de Reyes, Machiques, uma pequena cidade rural perto da fronteira com a Colômbia, o seu antigo clube, o Perijaneros FC, iniciou uma campanha para exigir a libertação de Reyes.
Em imagens partilhadas no Instagram e no TikTok, crianças da escola de futebol fazem oração pelo seu antigo treinador, que deixou a cidade como tantos outros à procura de um futuro melhor no estrangeiro.
“Muitos jovens deixaram o clube... alguns deles foram para os EUA, outros estão na Colômbia, no Peru, estão por todo o lado, não é segredo que a situação econômica é problemática aqui”, conta à CNN por videochamada Yogerse Viloria, 48 anos, que foi treinador de Reyes.
Na última década, mais de oito milhões de venezuelanos fugiram da crise financeira e da repressão política sob o comando do presidente Nicolas Maduro, que na semana passada criticou os EUA e El Salvador por “raptarem” os seus cidadãos.
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